22 de maio de 2018

somos o exemplo


Faço parte de alguns grupos de mães, como tenho dois filhos e estamos na segunda escola, faço parte de, no mínimo, quatro grupos de mães no whatsup. Muitas publicações coincidem nesses grupos, normalmente com um intervalo bem pequeno entre elas. Estamos “todas sincronizadas”. Nessa sincronia uma boa parte das publicações está dedicada a “dicas” de educação. E a pauta é a internet e a utilização de celulares e Ipads, sendo que o que mais se repete é a falta de limites na utilização desses aparelhos e a falta de vigilância com relação aos conteúdos que nossos filhos estão acessando.
Parece de fácil solução, já que sempre se lê que o importante é limitar a exposição dos pequenos a esses aparelhos e a rede. Mas no fundo... não é fácil não, porque a raiz do problema, na minha opinião, não está nas crianças. Nós é que somos o problema. Nós somos os que, em primeiro lugar, demos esses aparelhos/rede para eles. E nós somos os que não temos tempo para “vigiar”, aliás somos nós também que estamos “conectados” a maior parte do nosso tempo, portanto, vale mesmo a regra do exemplo: Nossos filhos fazem o que nós fazemos.
Estamos conectados o tempo todo com o “mundo lá fora”. Lá fora!
E já que a educação dos nossos filhos está tão perto, está tão dentro das nossas vidas, da nossa casa e não é nada virtual, está fora do lugar onde nós realmente estamos. Está no mundo real.

12 de abril de 2018

whatsapp 120 milhões


São 1,2 bilhão de usuários em todo o mundo, segundo pesquisa que saiu no estadão em maio de 2017. No brasil chegamos aos 120 milhões de usuários do WhatsApp. Entre outros modos de trocar ideias, comentar e ter opinião na rede.

Eu hoje, no trabalho dei uma olhadela em um grupo que está conectado a escola. Havia várias mensagens todas relacionadas à escola, aos métodos utilizados, e uma grande preocupação pelo fato de os professores passarem listas de conteúdos para as provas que logo não caem por completo na prova. Acontece que essa história é bem antiga, mais que minha mãe! Isso acontecia comigo. Aliás falávamos abertamente quase fazíamos apostas sobre o que cairia e o que não. Colocávamos os temas por ordem de prioridade, ordem de aprofundamento do professor, tudo para dividir nosso tempo e procurar alcançar a nota máxima. Imaginem que, os professores, fizessem provas com todos os conteúdos passados durante o ano, ou pior imaginem que só ensinassem aquilo que iria com certeza cair na prova. Ups... ou as provas seriam mais frequentes e durariam horas ou... os nossos filhos teriam muito tempo livre na escola.

O curioso dessa nossa facilidade de nos expressar em público, de dar opiniões e comentar sobre qualquer assunto é, já se sabe, tão interessante como perigoso. Interessante porque todos desfrutamos da nossa liberdade de expressão e de opinião e perigoso porque, falar com propriedade quando não se tem suficiente conhecimento sobre qualquer assunto pode causar consequências não exatamente produtivas. Quantos whats recebo com informações supostamente passadas por especialistas que não são exatamente corretas? Quantas informações não são verdades? E aí?

Acho que estamos ficando cansados de tanto ler sem ter o benefício de chegar ao final do romance. Estamos interrompidos por aquele sonsinho, que nos faz parar, por alguns segundos não importa o que estejamos fazendo, para ler a mensagem. Acabar com isso? Nem pensar!

E então fazer o que?

Não tenho certeza, eu vou tentando levar, leio algumas coisas, desisto de outras quando olhadinha e vejo que não me interessa, desligo quando estou no trabalho ou descansando.... Desse modo vou indo. Claro que, e disso não se pode escapar, sou vez ou outra criticada por não ver alguma mensagem, ou não atender o telefone, ou...

Sobre a escola e o grupo? Somos um grupo trocando ideias e a escola, teoricamente, deveria estar fazendo a coisa certa, procurando se melhorar e fazendo tudo de tal modo que, nossas crianças saiam de lá sabendo história, matemática, física, química, biologia... e ainda, se for possível felizes.

Talvez melhor seja acabarmos um romance!

19 de dezembro de 2017

novo material escolar

Mais uma vez estamos comprando material escolar. Ainda bem! isso significa que os meus pequenos ainda são pequenos. E mais uma vez eu curto, com eles. Curto agora como mãe, mas sempre, ano traz ano, lembro-me do feeling. Canetinhas, lápis, papel, borracha e livros cheirando a novinho com as primeiras páginas sem nome.

Novidade, esperança, idealização. Isso mesmo! Junto com o material a esperança do novo e ao mesmo tempo o frio na barriga que o novo dá: dos novos amigos, dos novos professores e, claro, o novo você. Sim, porque sempre que há uma situação como essa, são poucos os que não se aproveitam dela para a idealização. Aquela que, cedo ou tarde, acaba com a gente, porque afinal nós somos o que somos e não exatamente o que pensamos que queremos.


Há aqueles que se idealizam mais estudiosos, aqueles que se imaginam mais sociáveis, aqueles que se imaginam qualquer coisa que não é a coisa do momento. E para nos mães que estamos acompanhando os nossos pequenos sobra a esperança de que nossos filhos alcancem o que querem e que sejam felizes. Muito felizes! 

13 de dezembro de 2017

ursinhos de goma e escravidão


Lembro-me de haver sido tranquilizada, aos 10 anos de idade, quando o capítulo escravidão da aula de história acabou com o “fim dela”. Recentemente repassei a aula acompanhando os estudos do meu filho, que, trouxe o assunto de outro modo ontem quando chegou em casa e me disse que não consumiria mais Haribo até descobrir se é verdade ou não que eles produzem suas balas com mão de obra escrava.

Encontrei muitos textos de várias fontes nacionais e internacionais, todos coincidindo que a Haribo estava sendo investigada e que, por sua vez, a Haribo estava investigando seu fornecedor de matéria prima. Bum! O fornecedor é o Brasil com o óleo de Carnaúba.

Então me dei conta que essas notícias correram praticamente ao mesmo tempo, quando no Brasil acontecia uma tentativa de dificultar o enquadramento de trabalho análogo ao escravo.

Que tal?

Minha indignação na época foi gigantesca em parte porque ninguém ao meu redor parecia saber do tema ou estar interessado e, em parte e mais importante, porque com o nosso histórico tinha certeza que o tal projeto seria aprovado, como muitos outros estapafúrdios. Foi um alivio descobrir que o novo modo de enquadramento e investigação não havia sido aprovado. Estamos melhorando?

A escravidão anda solta aqui e no mundo e tem muitos formatos, mas, felizmente há muita gente envolvida na luta contra e nós temos que participar. Como? Por agora, lutando contra todas as formas de corrupção que é a fonte mantenedora desse tipo de horror.


Haribo? Somente quando houver certeza de que não estão patrocinando desgraças.

15 de setembro de 2017

aconteceu

Há quase dez anos eu faço a revista da Sociedade da Mesa Clube de Vinhos com muita dedicação. Trabalhando cada coluna para apresentar aos associados do clube matérias interessantes e de qualidade sobre o mundo do vinho, da gastronomia e outros.
Hoje fiquei sabendo que um novo clube de vinhos fez uma revista online com os nomes das minhas colunas. Uma cópia do meu trabalho sem disfarces. Incrível! Criatividade em baixa? Falta de capacidade? Falta de envolvimento com o trabalho? Ou sacanagem? 

22 de agosto de 2017

Dias nublados

Dias nublados me engordam, comendo ou não, além de deixarem meus cabelos fora de corte e de  esvaziarem o meu guarda roupas. Sorte que são passageiros e que um dia desses o sol voltará para me deixar mais magra com cabelos mais bonitos e um armário abundante. 

16 de agosto de 2017

paladares


Ontem fui almoçar no bar do Tico com as crianças. Fiquei muito surpresa quando minha filha de 14 anos, ao contrário do de 9, comeu tudo o que havia no prato. Um PF lindo de morrer e muito bem servido de arroz, batatas fritas e uma carne de panela absurdamente saborosa.  Eu, claro, também comi tudo, não podia parar mesmo quando já estava satisfeita. Além de delicioso, o prato me pegou no colo, ultrapassando os sabores, me levou para um lugar mágico e muito confortável. 
Enquanto isso, Tomás remexeu o prato com certo desgosto e comeu somente as batatas, repetindo a cena já vivida por mim com minha filha e também vivida por minha mãe comigo e meus irmãos. 

A questão é que nós, mães, passamos pelo mesmo, geração após geração. Descabelamo-nos querendo que nossos filhos comam “de tudo” ignorando nossa própria experiência, afinal nós também éramos seletivas quando pequenas. 
E se dermos umas voltas à cabeça, essa nossa “seletividade infantil” deve haver nos livrado de um ou outro envenenamento, porque certamente diante de uma bolinha cor vermelha de uma planta espinhenta, o mais comum entre as crianças é não se aventurar.

Voltando ao lugar mágico e muito confortável para onde um prato ou uma bebida pode nos levar - me veio à cabeça que também é possível transportar-se com alimentos e bebidas para lugares pouco confortáveis. Nossa memória gustativa é livre. Quando eu era pequena, não comia cebolas. Isso era mais que um problema para minha mãe, que além de adorá-las entendia que a cebola é um tempero essencial. Pobre dela e pobre de mim que, com um pai galego que viveu uma guerra e passou fome em alguns momentos da vida, não podia permitir que uma filha afortunada com eu “desse um piti” diante de pratos abundantes por causa de uma “insignificante cebola”. Quanto ele batia com o punho na mesa para colocar o basta, a mesa tremia, os pratos e copos tilintavam e eu engolia em sofrimento, muitas vezes inclusive com ânsia, até o último grão daquilo que estivesse no meu prato. Hoje em dia, e como minha mãe fazia, cozinho com cebolas, mas, como era de se esperar,  sou cheia de dedos para comê-las. 

E com o passar dos anos tudo muda. Quem não insistiu em uma cerveja para se sentir parte de um grupo de amigos, talvez até de modo inconsciente? Ou começou a comer determinado ingrediente por saúde ou estética? Sorte a nossa que o paladar possa ser moldado a condições diferentes, cultura ou vontades diversas. 

Basta insistir para curtir.